O N O M E D E L E



Sentada na sala acompanhada do meu café e de um coelhinho de menos de 30 cm de comprimento, era impossível me sentir só. A casa era o silêncio e meus pensamentos ecoavam pelo ambiente.


O nome dele saia de mim num sussurro e quando eu podia ouvi-lo de novo, era um grito subindo pelas paredes preenchendo o lugar. Seu nome era um sentir tão grande que só o pensar faziam com que as borboletas se agitassem em meu estômago.


Desejei o toque das suas mãos nas minhas, tão pequenas e delicadas e ao mesmo tempo tão poderosas e até mágicas enquanto dançavam sobre o piano. Desejei o som de sua voz, baixinha em meus ouvidos pronunciando as palavras mais doces enquanto me embala em seu abraço, ou tão notória quanto pode ao cantar suas músicas favoritas.


Me peguei acariciando meu próprio braço como ele fazia, mas diferentemente dele, aquele ato era mais como um consolo ou um lembrete da saudade do que qualquer outra coisa.


Nomes são extremamente importantes e eles dizem mais sobre alguém do que qualquer outra coisa. Há nomes que são cheios de força, daqueles que você ouve e recua um pouquinho só pra sair do caminho. Outros são graciosos e imponentes, daqueles que você ouve e tenta resistir à vontade de se curvar em reverência. Há nomes temerosos, daqueles que dão um frio na espinha, ao ouvi-los a única reação possível é correr e se esconder. Há nomes que são um completo enigma, você passa a vida tentando compreende-los mas sem sucesso. Há alguns nomes no entanto, que eu jamais fui capaz de descrever perfeitamente. Esses nomes fazem o coração até dos mais desatentos despertar. Ao pronuncia-los borboletas surgem no estômago, um arrepio passa a fazer parte do seu corpo e você é inundado pela melhor das sensações.


Tínhamos a mesma compreensão sobre nomes, mas nunca consegui encaixar o dele em nenhuma dessas caixinhas. Talvez porque ele fosse muito mais do que uma caixinha, talvez porque limita-lo a qualquer que fosse a coisa, seria no mínimo inadmissível.


Seu nome tinha a própria força, mas nunca tirava qualquer um do lugar, era um nome que se fazia presente: Se ele entrasse em uma sala, mesmo que você não soubesse onde estava a porta, você saberia que ele acabou de passar por ela.


Também era um nome gracioso e delicado, sua simples pronuncia era embalada por afago e calmaria.


É também um nome que, apesar de simples era guardado por segredos e enigmas que ninguém jamais teria a sorte de desvendar, talvez por ninguém sequer pensaria que tal nome seria capaz de algo assim.


Seu nome era como um primeiro sopro de inverno.


Você sai de casa num dia ensolarado e acaba deixando pra trás o casaco. Enquanto o sol se põe e você caminha sem rumo pelas ruas da cidade, uma brisa fria te atinge. Você se encolhe e se lembra de imediato do casaco esquecido no braço do sofá. Seu coração se aquece pela consciência instantânea da chegada do inverno. Sua época favorita do ano.

Você deseja o seu casaco ou mesmo um corpo quente pra trocar calor e um nome te vem em mente.


O coelho levanta as orelhas sem qualquer motivo, o que me trás de volta à realidade. alguns segundos depois alguém bate a porta. Me levanto e vou até ela.


Ao abrir a porta, dois sorrisos se abrem.

O coração acelera

Sussurro um nome

O nome dele.


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